Mas afinal, o que se aprende na Ed. Infantil? 

Não tem uma vez que eu falo que sou professora de Ed. Infantil que não me perguntam: “Mas o que você ensina?” Não me impressiona nada essa pergunta vindo sempre de pessoas que precisariam voltar umas casas no jogo da vida e refazer a escola primária, pois ainda não aprenderam algumas coisas tão importantes.

Me espanta que as pessoas ainda pensem que na escola a criança só aprende a desenvolver o cognitivo: ler, escrever, conjugar verbos, abstrair, somar… E que, por conta disso, desvalorizam a educação em que a criança ainda não trabalha essa habilidade.

Vou contar uma coisa para vocês: é antes dos 5 anos que uma criança aprende as habilidades mais importantes da vida. São elas: amar, respeitar, se acalmar, se colocar, se expressar, se conhecer, FALAR, olhar, conviver, esperar, participar, entre outras…

Quando você descobre algum problema emocional, e já é crescido (em terapia, em um relacionamento…) não é a toa que você vai ter que voltar na infância, em como se relacionava, com quem…pois são sentimentos/habilidades que deveriam ser desenvolvidas nessa época. E não se iludam, não estou aqui falando de problemas graves, mas em simplesmente saber se colocar em um grupo de amigos, em um relacionamento abusivo, saber esperar (a ansiedade taí e não me deixa negar), não se frustrar tão facilmente, não se cobrar tanto… Tudo isso é resolvido na primeira infância!

A cada noticia que leio, fico cada vez mais convencida que os problemas do mundo seriam questões facilmente resolvidas na infância: intolerância (política, religiosa) preconceito (racial, ideias) empatia, compaixão…

Chega de desvalorizar algo tão importante! Parem de apressar processos!

Como se preparar para os primeiros dias de aula no Canadá (dos seus filhos)

Sempre recebo perguntas como essas: “Como que é a adaptação no Canadá?” “Meu filho não fala inglês” “O que eu faço?” “O que eu levo?”

Primeiro passo: tente manter a calma!

Segundo passo: lembre-se, seu filho não está tão ansioso quanto você. Ele vai ficar se perceber algo de errado com a mamãe ou com o papai. Seu filho confia em você e acredita em tudo o que você fala e faz. Se pra você tá bom, pra ele também está!

O ideal é conversar com as crianças sobre tudo o que está acontecendo independente da idade: “Filho, vamos nos mudar para outro país e você vai estudar em outra escolinha”. Seja franco com ele, fale sempre a verdade: “Filho, vai ser uma fase complicada para a mamãe também, vamos todos para um lugar onde não conhecemos ninguém”. E se mostre disponível: “Mas a mamãe e o papai estão sempre aqui pra qualquer coisa que você precisar”.

Quando o grande dia chegar, obedeça as regras de adaptação da escola (você provavelmente vai saber um pouco antes) – se quiser também pode ler esse post sobre adaptação, e se tranquilizar um pouco mais.

Pense que o Canadá é um país que recebe, em média, 320,000 imigrantes por ano (segundo o site do cic). Eles estão bem acostumados com imigrantes, e mais ainda com filhos de imigrantes. A maioria das escolas possuem estratégias concretas e bem funcionais com relação ao desenvolvimento da linguagem. Seu filho não vai sair falando inglês no primeiro dia, mas a ideia é que ele não se sinta desconfortável com a língua, apresentada de maneira suave e despretenciosa.

Trabalhei em uma escola esse ano que na porta de entrada estava escrito em algumas línguas: Bom dia! – Apesar de em português estar errado, não deu tempo de tirar a foto com o corrigido.19453172_1036403296490394_4229552652365035608_o

As escolas fazem a maior questão de receber com os braços super abertos famílias e crianças de outros países, faz parte da educação de todos trabalhar diversidade na prática, é super rico para uma sala de aula, como se fosse um presente para os professores.

Sinta-se tranquila para perguntar e conversar com a professora do seu filho sobre qualquer coisa que quiser. Gosto de sempre enfatizar a importância desse canal. Lembre-se que ela também é importante para a sua segurança e confiança na escola, e ela sabe disso. Pais inseguros = crianças inseguras.

Outra coisa importante é que aqui no Canadá, devido as mudanças loucas de temperatura e também por questão de higiene, cada criança tem um Cubbie. É onde fica a mochila e todas os objetos de uso pessoal da criança. Trocas de roupa, lenços, filtro solar, chapéu, botas de neve ou de chuva, calças de neve, casaco (tudo isso dependendo da estação). O que não muda é: um sapato para usar dentro e outro para usar fora da escola (no parquinho, por exemplo). Esses ítens ficam na escola durante toda a estação. Todo o dia é a mesma rotina: os pais chegam com a criança, tiram as botas e os casacos, colocam os sapatos de ficar dentro e só aí podem dar tchau. Nessa altura do campeonato posso te dizer que a rotina vai ser sua melhor amiga! 😉

Desejo um bom início a todos!

 

7 fatos que ninguém te contou sobre a prática da educação infantil no Canadá

Eu já fiz um post sobre as diferenças mais estruturais entre a educação no Brasil e no Canadá (clique aqui para ler). Hoje queria falar um pouco do que eu sinto na prática. Lembrando que é sobre Educação Infantil, os chamados Day Care aqui. As crianças podem entrar a partir dos 4 meses de idade.

As escolas são todas muito disputadas:

Como no Canadá você só pode colocar seu filho em uma escola realmente perto da sua casa, acaba limitando bem as possibilidades, e uma coisa bastante comum é ficar na fila de espera durante meses para conseguir colocar seu filho em alguma escola.

Os pais tem que assinar um contrato de bom comportamento dos filhos, caso contrário: expulsão

Sim, é verdade. No Canadá as crianças que tem comportamentos muito inaceitáveis são expulsos do Day Care. Dessa forma, os pais são bem preocupados com a educação em casa. Mas é claro que a escola oferece suporte, existem muitos psicólogos e terapeutas ocupacionais trabalhando junto com os professores. Pessoalmente não consigo imaginar o que uma criança pode fazer para ser expulsa do Day Care, mas existe essa lei.

Todas as escolas são avaliadas semestralmente por um órgão governamental que pode, desde recolher licença das professoras mal avaliadas, até fechar a escola:

Esse momento é o mais temido dentro de todas as escolas. Todas as escolas de Ontario (província do Canadá que eu moro) estão registradas em um site governamental. Nesse site consta a avaliação da escola: higiene, saúde, profissionalismo, dedicação dos professores, comportamento, planejamento das aulas… É a ficha completa mesmo, para que os pais possam escolher (na medida do possível) a melhor escola para seus filhos, e também para manter um “controle de qualidade” para as escolas de Ontario.

Eles observam coisas como: troca de fralda correta de todos os funcionários, antecipação de acidentes, higiene na hora das refeições, educação e respeito entre os funcionários, relação professor-criança, redirecionamentos correto das crianças feito pelos professores, incentivo de autonomia e desenvolvimento das habilidades de acordo com a faixa etária…

A escola não mistura pessoal com profissional:

Por conta de todas essas restrições e controles de qualidade que a escola sofre, não existe nenhuma mudança de comportamento (do considerado correto pela organização da província da Ontario), mesmo que solicitados pelos pais. Vou dar um exemplo: uma criança que entra na escola com 1 ano já precisa saber se alimentar sozinha. Como isso é motivo de muita discórdia entre os pais, a diretora da escola já avisa: “Seu filho vai entrar aqui daqui a 2 meses? Já começa a deixá-lo comer sozinho em casa, aqui na escola ninguém da comida na boca de nenhuma criança. Damos pequenos pedaços no prato e eles comem com a mão, até aprender a usar os talheres”.

E não adianta mudar de escola, pois todas são assim, as regras são as mesmas. Isso eu já presenciei: se a criança não quer/não come sozinha, ela simplesmente passa o dia sem comer, ninguém fica com dó. Ou come o que tem, na hora do almoço/lanche, ou espera a próxima refeição.

As escolas públicas são muito melhores e muito mais disputadas que as particulares:

São as escolas públicas que tem os melhores professores, que tem mais prestígio e os que ganham melhor. São as escolas públicas que tem filas de espera enormes, espaços mais apropriados e funcionários muito melhor preparados.

O contato físico do professor com a criança (quase) não acontece:

Como a grande prioridade da Educação Infantil é o desenvolvimento da autonomia, os professores abominam crianças dependentes deles. Aqui a principal ferramenta para o desenvolvimento da autonomia é o empoderamento da criança, pode ser mais doído no início, mas aqui é muito importante que a criança consiga se sentir segura sozinha. Acreditem se quiser: raramente eles pegam crianças no colo, somente em adaptação, mas no geral, quando a criança está muito chateada eles oferecem um abraço.

Existe uma relação adulto x crianças que deve ser respeitada:

A relação para os infants, por exemplo (até 1 ano e meio) é sempre 1 profissional para cada 3 crianças: Em hipótese alguma pode-se mudar essa relação. Se uma sala de aula tem 12 crianças, necessariamente devem ter 4 professoras (não estou brincando, professoras formadas, com licença) na sala de aula. Se, por algum motivo alguma professora faltar, as crianças tem que ser reorganizadas, dividindo em outras salas ou convocando as professoras supplies (que são contratadas para serem substitutas) para ir trabalhar justamente nesses casos. Toddlers e preschoolers são diferentes: 1 adulto para 4 toddlers e 1 adulto para 7 preschoolers.

Baby Sleep Training

Resolvi escrever esse post porque até agora estou um pouco desacreditada com uma prática que, até então não conhecia, de ajudar o seu bebê dormir a noite inteira, sozinho. Queria enfatizar que não estou dando a minha opinião (dizendo se concordo ou não com a abordagem), só explicando como funciona e dizendo que aqui no Canadá 99% dos pais utilizam essa prática.

Comecei a ajudar uma amiga com o bebê dela de 11 meses e vi, com os meus próprios olhos, o resultado de duas semanas de sleep training aos 6 meses. Vi uma criança que, quando colocada ao berço, deita e dorme sozinha e só acorda no dia seguinte. Não chora, não reclama, não fica nervosa. Uma criança que, aparentemente, consegue se acalmar sozinha a ponto de pegar no sono e mantê-lo durante a noite inteira.

Fiquei tão curiosa com isso que fui pesquisar. Descobri um site que explica passo a passo (em inglês) então só vou traduzi-lo. Link para texto original: https://www.babycenter.com/0_baby-sleep-training-the-basics_1505715.bc  

O que é o Sleep Training?

É o processo de ajudar o bebê a começar a dormir sozinho, e continuar dormindo durante a noite inteira.

Para alguns bebês é mais fácil e rápido. Mas uma grande maioria tem grande dificuldade em se acalmar ou a voltar a dormir sozinhos quando acordam no meio da noite. Descrevemos a seguir as principais abordagens: cry it out, no tears and fading

Quando posso começar o treinamento?

A maioria dos profissionais recomendam começar entre os 4 e 6 meses de idade. A partir dos 4 meses, os bebês, em sua maioria, já tem o ciclo mais regular de acordar-dormir, já não estão mais mamando a noite inteira e conseguem alongar o período de sono durante a noite. Esses são os sinais de que ele deve estar pronto para começar o Sleep Training.

É claro que cada bebê é diferente. Alguns ainda podem não estar preparados até um pouco mais velhos. Alguns bebês já dormem 7 horas seguidas durante a noite, outros ainda não. Se você tem dúvidas, pergunte ao seu médico.

Como se preparar para o Sleep Training?

. Introduza uma rotina para a hora de dormir: pode começar desde pequeno, 6 semanas, mas não se preocupe se o bebê já for mais velho – nunca é tarde. A rotina pode incluir um banho quente, um livro, uma música. O importante é que seja feita a mesma todos os dias.

. A escolha do horário é importante: profissionais recomendam entre as 7 e 8 da noite. Assim o bebê não estará tão cansado e/ou brigando para dormir.

. Siga a mesma rotina todos os dias: tente tirar o seu bebê do berço todos os dias no mesmo horário, o alimentá-lo e colocá-lo para a soneca também no mesmo horário. Ter esses horários fixos o ajudam a relaxar e se sentir seguros. São esses bebês que adormecem com mais facilidade.

. Tenha certeza que o seu bebê não tem nenhuma condição que afete seu sono: consulte seu médico.

Quais são as abordagens disponíveis?

Existem diferentes métodos saudáveis para o seu bebê. Mas qual devo usar? Isso vai depender qual o seu filho vai responder melhor e a que você se sentir mais confortável também.

Enquanto profissionais continuam a debater qual é a melhor opção, mais importante que o método é a consistência. Qualquer técnica é eficaz se for feita com consistência.

Escolha um método e vá em frente. Seja flexível na hora de começar e observe como o seu bebê vai reagir. Se perceber muita resistência ou uma regressão no comportamento e humor, pare e espere algumas semanas para começar de novo, mas dessa vez, escolhendo uma abordagem diferente.

A maioria dos métodos seguem uma dessas abordagens básicas:

Abordagem Cry it out:

Os defensores dessa abordagem dizem que dormir pegar no sono sem ajuda é uma habilidade que o bebê tem capacidade de aprender, se tiver oportunidade. A ideia de que o seu filho se acostumar com você o balançando, no seu colo, ele não aprenderá a dormir sozinho, vai sempre pedir ajuda. Por outro lado, se ele aprender a dormir sozinho, ele também conseguirá fazer o mesmo se acordar de madrugada por algum motivo.

Choro não é o principal objetivo desse método, mas uma consequência. Especialistas dizem que não tem problema deixar o seu filho chorando e sair do quarto. Porém, não aconselham deixá-lo chorando um tempo indeterminado, tudo deve ser bastante observado e controlado pelo adulto. O método consiste em colocar o bebê no berço enquanto ele ainda está acordado, o permitindo chorar por períodos curtos, o acalmando sem pegá-lo no colo (pode ser apenas fazendo carinho, mas sem tirá-lo do berço).

A abordagem mais conhecida do método Cry it out foi desenvolvida pelo pediatra Richard Ferber, diretor do centro de pediatria de problemas para dormir do Children’s Hospital em Boston. Ferber diz que para pegar no sono sozinho e dormir durante a noite inteira, os bebês precisam primeiro aprender a se acalmar sozinhos. Ferber acredita que ensinando o bebê a se acalmar involve deixá-lo chorar sozinho por algum tempo.

Abordagem No Tears:

Se você não se sente confortável com a ideia de deixar o seu filho chorando, ou tentou o método acima e não funcionou, você deve considerar essa abordagem mais gradual e com menos lágrimas.

Especialistas desse método incentivam uma abordagem com mais processos. Acalmando o bebê e oferecendo conforto sempre e na mesma hora que a criança começa a chorar. O pediatra William Sears, autor do livro The Baby Sleep acredita nesse método. Educadora de pais Elizabeth Pantley ressalta a importância do passo a passo No tears no seu livro The No-Cry Sleep Solution. 

No Tears é considerada uma abordagem mais carinhosa e focada no seu bebê. Ele recomenda ajudar pacientemente o bebê a dormir no tempo que ele precisar. Funciona dormindo junto, fazendo carinho ou balançando até pegar no sono. Mas o mais importante: responder às necessidades do seu filho assim que elas surgirem, se chorar, aparecer no quarto dele na mesma hora e começar tudo outra vez.

Abordagem Fading:

Nessa abordagem, os pais gradualmente diminuem seu papel na hora do sono do bebê. Dos dois métodos, esse é um “meio termo”. Os pais precisam estabelecer um momento para o bebê conseguir se acalmar sozinho, e ao mesmo tempo, mostrar que estão ali caso algo aconteça. Estabelece-se um período em que deixamos o bebê tentando se acalmar sozinho antes de intervir, e esse período vai ficando cada vez maior para o bebê e menor para os pais.

Funciona assim: os pais devem sentar em uma cadeira do lado do berço até o bebê dormir, essa cadeira será gradualmente (cada noite) movida cada vez mais longe do berço. Outra característica dessa abordagem é checar o bebê a cada 5 minutos e acalmá-lo fazendo um carinho, sem pegar no colo, até o bebê dormir.

O objetivo é dar tempo para o bebê entender como ele vai conseguir se acalmar sozinho. Dê a oportunidade para o bebê “tenta” antes de sair correndo e pegá-lo no colo. Comece de perto o incentivando e dizendo que ele consegue, e cada vez mais vá se afastando. “A ideia é ser um treinador, não uma muleta”, diz Kim West, clínico social e autor do livro The Sleep Lady’s Good Night, Sleep Tight, que aborda estratégias dessa abordagem.

Eu tenho que usar o método Sleep Training com o meu filho?

Não. Os pais decidem por alguns métodos mais extremos quando estão cansados ou frustrados com os hábitos de dormir dos seus filhos, e nada do que eles tentaram funcionou. Se você está feliz do jeito que as coisas estão indo, agradeça e continua desse jeito.

Famílias podem ter diferentes expectativas e tolerâncias. Uma criança de 9 meses que acorda duas vezes na noite, pode ser o fim do mundo para uma família, mas extremamente natural para outra. Se o sono do seu filho não está indo bem, você saberá. Você pode procurar ajuda médica ou optar por métodos ensinados por especialistas.

DICAS QUE SERVEM PARA TODOS:

  • Não ajude o seu bebê demais. Deixe ele encontrar uma posição mais confortável sozinho ao invés de colocá-lo do “melhor” jeito. Quando ele acordar, pense algumas vezes antes se ele precisa mesmo da sua ajuda para voltar a dormir.
  • Espere algumas lágrimas, é normal. Os bebês não gostam de mudanças, e chorando é o jeito deles de expressar isso. Mas eles são extremamente adaptáveis a novas rotinas, e o choro não deve durar muito.
  • Ofereça um objeto de conforto. Algum bichinho de pelúcia, uma naninha, podem servir para a transição mais confortável de rotinas, segurança em lugares em que estejam “sozinhos”.
  • Seja consistente. Se todos os cuidadores não estiverem trabalhando da mesma forma, vai demorar mais tempo para o bebê aprender. Garanta que o mesmo trabalho esteja sendo feito com todas as pessoas que colocam o bebê para dormir.
  • Escolha um horário amigável: não coloque o seu filho para dormir muito tarde, bebês muito cansados demoram mais a dormir e acordam mais a noite.

 

 

 

 

 

 

 

 

4 atividades que trabalham desde coordenação motora até linguagem e representação (18 meses até 2 anos e meio)

1. Song Box: Tem coisa mais legal que caixas para crianças pequenas? Além de poder brincar com elas, coloquei vários objetos que representam músicas infantis: twinkle twinkle little star, Old McDonald, Itsy bitsy spider, 5 green frogs, Pat a cake. Sentei com as crianças, abri a caixa e deixei cada uma escolher a música que queria cantar, claro que depois cantei todas com eles! Legal para trabalhar desenvolvimento de linguagem e representação: cada palavra escutada e repetida durante uma música, é uma palavra nova aprendida (muito bom para trabalhar novas línguas).

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2. Que tal trabalhar coordenação motora fina numa atividade tão simples quanto transportar areia de um baldinho para o outro? Funciona assim. Coloque dois potes um ao lado do outro, e uma criança por vez pode se divertir o enchendo, esvaziando ou transportando areia de um para o outro. A sensação de realização da criança quando consegue é super importante para o seu desenvolvimento, por isso que é importante deixá-la fazer sozinha.

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3. Garrafa Sensorial: Uma garrafa que trabalha os sentidos da criança pode desde acalmá-la até instigar sua criatividade e curiosidade. Essa eu fiz com arroz e pedacinhos de canudo cortados. A criança pode chacoalhar e notar o som que o arroz faz quando encontra os canudos.

 

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4. Sorting: escolhi potes de 3 cores e peguei alguns brinquedos um de cada cor para as crianças colocarem nas cores certas. Importante que seja feito acompanhado de um adulto, que estimule, dando um objeto por vez para a criança colocar no pote correspondente. Conforme a criança for mais velha, já pode fazer sozinha. É uma atividade que desenvolve o cognitivo, combinar as cores dos objetos com as cores dos potes.

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5 dicas de músicas para cantar na hora de organizar/limpar/arrumar depois de brincar – em inglês

Cantar na hora de guardar os brinquedos pode ser uma boa ideia para ajudar os pequenos a aprender que:

  • Depois de brincar precisamos guardar
  • Sutilmente que está acabando a hora de brincar

Lembrando que sempre antes de realmente começar a arrumar e “acabar a brincadeira”, não se esqueça de avisar um pouquinho antes: “Mais 5 minutinhos e vamos arrumar!” (5 more minutes and we’re going to tidy up!)

Algumas transições/mudanças na rotina podem ser complicadas e a música ajuda a tornar esse momento mais sutil e divertido.

Minha favorita e número 1:

 

2: Time to tidy up (só usam essa aqui no Canadá)

 

 

4: Everybody clean up

5: Tidy up time!

Por que não devemos forçar crianças a dividir seus brinquedos?

Quem tem mais de um filho ou quem trabalha com Ed. Infantil sabe que uma das coisa mais difíceis é conseguir ensinar para um Toddler (crianças de até 2 anos e meio) dividir seus brinquedos. Hoje estou aqui para te dizer que: não precisa fazer ele dividir, ele não está pronto para isso, e deve ser respeitado. Imagina que desagradável se alguém tomasse o seu celular da sua mão e dissesse: “Seu amigo também quer brincar, deixa ele usar um pouquinho”. :/

Vou explicar: habilidade de compartilhar um brinquedo é apreendida e caminha lentamente com o desenvolvimento da criança. Nos momentos de conflito o que deve ser estimulado é a habilidade social e a linguística.

Mas como que eu faço?

Numa sala de aula de Toddlers, o ideal é sempre ter muitas unidades dos mesmos brinquedos. Dessa forma, quando algum conflito acontecer, você chama o fulano (sempre o que está tentando tirar o brinquedo das mãos do amigo) e mostra pra ele: “Esse brinquedo o seu amigo está brincando, mas olha ali! Tem outro carrinho igual a esse, por que você não pega aquele pra brincar?” E para a criança que teve o brinquedo tomado pelo amigo você estimula a reação: “Fulano, explica para o seu amigo: Minha vez”. Peça para a criança repetir: “Minha vez” (estímulo de linguagem)

Quando a criança aprende que ela precisa reagir verbalmente quando um amigo toma algo das mãos dela, são vários crescimentos: usar suas palavras para resolver um conflito (isso é gigante para um Toddler – a primeira opção é sempre usar o corpo: morder, bater…) e não deixar alguém tomar algo das suas mãos, reagir, não ser passivo frente a uma situação que te incomodou. Os Toddlers estão aprendendo a controlar suas emoções, novos vocabulários, se reconhecer como indivíduo e reconhecer o outro…

Mas e se a criança for mais velha?

Aí a coisa muda de figura. Conforme as crianças vão crescendo, o ideal é o número de brinquedos iguais na sala de aula irem diminuindo. Por quê? Exatamente porque as habilidades a serem trabalhadas com essa faixa etária são outras (aqui estou falando de crianças de 3 a 5 anos). Mas quais são elas? Social, Resolução de problemas, Respeito, Cooperação, Se colocar no lugar do outro. 

Mas por isso devo obrigá-lo a dividir? Claro que não!

Neste caso, quando houver um conflito, você deve estimular a criança que está sendo perturbada a reagir: “Fulano, fala para o seu amigo que agora é a sua vez de brincar com o carrinho”. Se a criança estiver falando e mesmo assim o outro não estiver ouvindo e continua puxando o brinquedo, diga para o outro: “Fulano, ouça as palavras do seu amigo, ele está querendo te dizer algo”. Estimule a resolução de problemas: “Tive uma ideia, quanto tempo mais você quer brincar com esse brinquedo?” Já que seu amigo também quer, quando você acabar você poderia deixar ele brincar um pouco?” A criança vai entender, vai dividir no tempo dela e o outro vai saber esperar, ou de repente vai até achar um outro brinquedo para brincar nesse meio tempo.

Assim, você estará estimulando resolução de problemas, cooperação e respeito. Nunca force uma criança a dividir, não retire o brinquedo das mãos dela. Dessa forma você só estará reforçando uma atitude que você não quer que ela tome.

Lembre-se: algumas atitudes não deverão ser aceitas em uma sala de aula e como professor, é seu dever, ficar ligado nesses detalhes. Preste atenção quem estava com o brinquedo primeiro, ou para os menores: morder e bater não são comportamentos aceitos, não devem passar ignorados, o tempo todo o estímulo do controle emocional e da linguagem devem ser estimulados.

 

O que é pertencer/fazer parte de um grupo? – Como fazer para que nenhuma criança se sinta excluída?

Parece uma coisa meio óbvia né? Fazer parte significa pertencer. Não necessariamente. A coisa mais fácil é alguém olhar de fora para um grupo e achar que todas as pessoas ali se sentem incluídas e participantes, enquanto um ou outro gostaria de estar em qualquer outro lugar, menos ali. Não precisamos gostar de todos, mas precisamos aprender a respeitar e nos sentir respeitado por todos.

Como professores de Ed. Infantil, como podemos mudar esse cenário nas salas de aula, para inclusive, evitar o possível início do bullying? Como fazer para que todas as crianças se sintam incluídas e pertencentes de um grupo?

  • Se interessar por todas as crianças: não escolher uma criança “favorita” e sempre deixá-la falar mais que os outros. Principalmente no momento da roda, organizar com as crianças, um representante por semana. Cada semana vai ser um que vai falar sobre o que fez no final de semana, mostrar fotos, contar qual é a comida favorita e etc… E cabe a professora não deixar ninguém interromper a fala do amigo, cada um tem o seu momento.

 

  • Incluir a família: traga os pais para o ambiente escolar. Crie atividades em que todos os pais possam participar de alguma forma, seja cantando, seja contando uma história…(pode ser em dia de aula, pode ser em um evento da escola). O importante é que todos participem, e não sempre os mesmos.

 

  • Crie na sala de aula o ambiente da família: cada criança deve ter uma foto com a sua família dentro da sala de aula. Em algum momento isso deve ser explorado e trabalhado mostrando para os alunos a família de todos. Uma criança pequena se sente segura quando olha para uma parte da sala e vê a foto dos seus pais, irmãos, avós…

 

  • Trazer para dentro da sala uma cultura diferente: Se tiver uma criança que veio de outro país, outro estado, fale outra língua, procure conhecer e explorar essa cultura e trazer objetos que representem a cultura do outro lugar. Dessa forma, a criança se sentirá acolhida e os amigos conhecerão um pouco mais sobre a história de outro lugar.

 

  • Livros e materiais diversos também são importantes: não adiante ter só bonecas brancas de olhos azuis e livros também. Materiais de outros países, livros falando sobre ser adotado, sobre ter dois pais ou duas mães, acolhe as crianças e ensina as outras. Vamos explorar a diversidade para que de alguma forma todos se sintam representados.

Uma criança que se sente pertencente é mais feliz, tem um desempenho melhor, mas mais importante: aprende desde sempre a sua importância, o seu lugar, o seu poder e a sua força.

5 músicas em inglês para aprender e cantar com seus filhos

Cantar com uma criança desenvolve, primeiro uma relação gostosa afetiva (super importante desde a gravidez) linguagem e vocabulário – principalmente se o inglês não for a primeira língua.

Incentivar a musicalização contribui para o desenvolvimento psicomotor, cognitivo e lingüístico, além de ser facilitadora do processo de aprendizagem. Cantar favorece o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, da imaginação, da memória, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação.

Número 1 e minha favorita, rs

  • The wheels on the bus – tem várias versões, com movimentos corporais extremamente cativante para crianças a partir de 1 ano, agitada e divertida.

 

  • Head, Shoulders, knees and toes – com versões em outras línguas, é muito didática (ensina algumas partes do corpo) e faz qualquer criança levantar e querer apontar para as partes cantando junto com a música.

 

  • The Itsy Bitsy Spider: essa música é uma historinha da aranha que sobe na calha da casa, mas é derrubada pela chuva e tem que começar tudo outra vez. Tem coisa mais legal do que contar uma história cantando para uma criança?

 

  • Old McDonald had a Farm: preferida número 1 da maioria das crianças. É sobre os animais que moram na fazenda. Ótima para aprender o nome dos bichinhos e fazer a representação verbal do som que eles fazem: Muuu (para a vaquinha) Oinc (para o porquinho)

 

  • Twinkle Twinkle Little Star: Preferida dos bebês, ou dos menorzinhos, é uma música mais calma, suave que pode até ser cantada antes de dormir.

 

É isso! Agora é só decorar e começar a cantar 🙂

Minha primeira semana no Placement e já passei mais frio que no inverno (mentira)

Placement é aquele estágio obrigatório que eu preciso fazer para a faculdade de ECE daqui. Já fiz o primeiro, lembra aquela post do frio terrível que eu passei? (link aqui) Pois é, agora meu segundo é no verão. Clica no link pra ver a diferença das fotos, rs.

O mais louco é que quanto mais quente está a temperatura externa, mais eles bombam o ar condicionado das instalações internas. Quando eu achei que ia me livrar do frio…rs. Bom, vivo de moletom, todos me perguntam: “Gente, mas você não está morrendo de calor?” Eu, sempre fico muito sem graça, minha mão está sempre congelando e eu estou sempre tremendo de frio, sempre digo a mesma coisa: “Err, eu sou do Brasil, né? Estou acostumada com um calorzinho, esse ar condicionado aqui não é de Deus”. Todos riem, mas jamais mudarão a temperatura, haha.

Minha Day Care (a escola) é dentro de uma igreja Anglicana (levei um sustinho quando recebi os papéis – apesar de ser católica, tenho algumas tatuagens, fiquei com um pouco de medo que eles encrencassem). Cheia de regras de vestimenta, eles se dizem super “abertos” a receber crianças e/ou professores de outras religiões. Coincidentemente (ou não) só vi cristãos até agora… Apesar disso, eles dizem que só dividem o espaço com a igreja, que a escola não tem nenhuma conotação religiosa.

Estou na sala de Toddlers (crianças de 15 a 24 meses) e já estou completamente apaixonada no terceiro dia. Fico muito feliz em trabalhar em um lugar que eu me sinto acolhida e representante da “cultura latina” (os pais de crianças que falam espanhol quando descobrem que eu sou brasileira ficam TÃO contentes, acho que eles se sentem mais tranquilos, alguém mais próximo deles em outro país, isso é engraçado). E claro que não só eu, temos outras estudantes que representam outros países: a África, a China, a Turquia e, de vez em quando aparece algum canadense nessa mistura maravilhosa que é Toronto.

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Essas diferentes saudações que estão aqui na foto não são só de enfeite. Durante a roda, cantamos a música “Hello to (nome da criança), I’m so glad to see you” (link aqui) e para cada criança a saudação é a da sua língua materna, acredite! A minha seria: “Bom dia to Elisa, I’m so glad to see you!”. É … cada dia mais eu tenho mais  da mesma sensação, temos tanto o que aprender com o Canadá.

 

 

10 estratégias que ajudam a acalmar uma criança em momento de estres

Diante de toda a polêmica do outro post, resolvi compartilhar com as pessoas algumas estratégias que eu uso para ensinar a criança a se acalmar. São diferentes ambientes na sala de aula que estimulam a criança, conforme o tempo vai passando, a se dirigir automaticamente a eles quando se sentir “descontrolada”. Lembrando que o controle emocional é uma habilidade que a criança desenvolve durante a primeira infância, ninguém nasce sabendo se acalmar sozinho, e claro, dependendo do ambiente que essa criança está inserida e sua idade, fica cada vez mais difícil. Mas vamos falar de soluções:

  • Ficar um tempo sozinha

Ofereça para a criança ir se acalmar em outro ambiente (pode ser no hall da sala, pode ser atrás da cortina, pode ser deitada em algumas almofadas) – todos eles que possam ser supervisionados por um adulto.

  • Respirar fundo

Pedir para a criança respirar fundo, respirar você também calmamente na frente dela, oferecer uma bexiga (real ou imaginária) para encher com a sua respiração.

  • Conversar com um adulto

Oferecer a sua completa atenção caso uma criança esteja precisando conversar, pode perguntar: “Eu estou aqui para te ajudar, tem algo que você gostaria de me falar? Quer conversar comigo em algum lugar? Venha, eu vou com você”

  • Beber água

Oferecer um copo de água, precisamos naturalmente controlar a nossa respiração enquanto bebemos.

  • Olhar através da janela

Observar outros ambientes, outras pessoas em outras situações tiram e ajudam o corpo se acalmar.

  • Escrever um bilhete

Organizar na sala de aula um ambiente que possibilite a criança escrever um recado para alguém (individualmente) sobre o que quiser. O papel deve dar a impressão de uma carta/torpedo/mensagem na qual a criança possa se expressar sobre algo que aconteceu, ou algum sentimento que sentiu ou ainda sente.

  • Fazer algum exercício físico

Estimular a criança a se movimentar (usando o seu corpo e não o de outra pessoa) para “suar” a raiva, o nervoso…

  • Organizar/Arrumar algo

Dar alguma tarefa para a criança, algo que ela possa se concentrar em fazer, desacelerando a cabeça e acalmando o seu corpo.

  • Olhar um álbum de fotos

É legal sempre ter na sala de aula fotos da família, escolhidas pela criança. Algumas crianças se acalmam bastante em olhar seus familiares, lembrar de situações.

  • Nomear o sentimento

Oferecer várias opções para a criança e ao mesmo tempo, nomear o que ela está sentindo: “Você está se sentindo assim, pois está com raiva, está frustrado porque não quer fazer XYZ. Vou te ajudar a se acalmar, você quer ir lá atrás da cortina e ficar um tempo sozinho?”

Cada criança é uma, e é por isso a importância do professor (ou responsável) a conhecer bem para conseguir ajudar e oferecer o melhor caminho para o auto controle. Lembrando que a criança não aprende sozinha, algumas tem mais facilidade que outras, o que não significa que não precisem de ajuda. Observe, conheça com quem está lidando, esse é o segredo.

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O vídeo polêmico da semana: uma criança de aproximadamente 7 anos dando um surto na sala e a professora tentando contê-lo usando força física.

Hoje vim falar sobre o vídeo de uma criança de uns 7 anos dando um surto na sala e a professora tentando contê-lo usando força física. Ela pede para que a criança se sente e ele começa a mordê-la, xingá-la, enquanto a professora o segura e tenta arrastá-lo para a cadeira.

Para quem não viu o vídeo, não me sinto confortável divulgando o link, pois além de uma grande falta de respeito, acho bastante anti-ético.

Primeiro eu queria dar um recado para as pessoas que enchem a boca pra dizer que educação vem de casa: eu te pergunto, e professor de Ed. Infantil faz o que? Professor de Ed. Infantil é palestrante por acaso? Que na hora que ele fala, todos devem ficar calados? Cadê aquela frase: me respeite que eu te respeito? Sinto dizer que essas pessoas ou não fizeram pedagogia ou faltaram em todas as aulas de humanidade, pois qualquer um que trabalhe na área sabe que esse tipo de comportamento infantil é bem comum, talvez um pouco mais novo, mas acontece diariamente.

Bom, sobre a criança do vídeo, na minha opinião, independente do que ele esteja passando em casa, com a família (quais sejam os problemas), devemos acreditar que a criança é diferente em casa e na escola. Fácil é criticar os pais e a criança, mas que tal tentar ajudar? Além disso, fica claro que a criança está com grandes dificuldades de conseguir se controlar. Em pedagogia chamamos isso de self-regulation (controle emocional) e é uma habilidade desenvolvida desde o nascimento, quando corretamente estimulada.

Assim como eu já falei em outros posts aqui no blog (para ler clique aqui) não devemos nunca “bater de frente” com uma criança, afinal, somos os adultos e eles as crianças. Quando você sai na mão, está aceitando aquele comportamento violento que a criança está demonstrando e pior, está o ensinando que é assim que resolve (o mais forte ganha). Não podemos ensinar que a violência é a solução para algum problema! Pelo amor, criança foi feita para ser educada por quem estiver mais perto.

Se uma criança dessa idade está demonstrando comportamentos comuns de um toddler, junior preschooler (2 a 3 anos), precisamos desenvolver estratégias para lidar com uma criança imatura emocionalmente. Está muito pesado para a professora sozinha? Ela se descontrolou? Isso também é normal, mas é por isso que na escola precisa dar o apoio necessário a todos os funcionários. Dar um tempo para a professora se acalmar, enquanto isso outro funcionário fica na sala (durante um surto de alguma criança, por exemplo). Durante as reuniões pedagógicas essa questão precisa ser levantada, como vamos ajudar o fulano a se desenvolver emocionalmente? Qual deve ser o nosso comportamento quando ele surta? Vamos preparar a sala para ter mais ambientes que ajudem uma criança a se acalmar? Vamos direcioná-lo a esses ambientes? Vamos explicar para todas as crianças da sala como se comportar quando estivermos muito nervosos/ frustrados, irritados? Vamos saber reconhecer e nomear os nossos sentimentos? Vamos dar autonomia para as crianças irem para esses ambientes quando precisarem se acalmar? Vamos fazer alguma coisa? Vamos ser professores?

 

Sobre o meu 1˚ intercâmbio [Parte II]

Estou continuando a escrever porque não quero traumatizar ninguém com a Parte I (para ler, clique aqui) e também porque, apesar de todos os perrengues, com certeza foi uma das melhores experiências da minha vida. Sim, para os que perguntaram, morei em casa da família, Sim, era uma casa de uma família Filipina (maravilhosa, AMO eles de paixão até hoje temos bastante contato), mas não, nem tudo foi lindo e maravilhoso o tempo todo, e essa foi a graça, pois aprendi, amadureci, entrei em contato com outras culturas (no caso a americana e a filipina) e principalmente foi nessa experiência que eu descobri muitas coisas sobre mim mesma, descobri muitas qualidades que eu não tinha ideia que possuía.

Bom, depois do primeiro mês, que foi bem complicado, acho que finalmente me caiu a ficha e eu pensei: “Vai ser isso aqui mesmo, como que eu vou encarar?” e aí eu realmente me joguei. Não tinha quase nenhum aluno internacional na minha escola, me lembro de ter muitos asiáticos (mas eles ficavam meio isolados em grupos de pessoas que falavam a mesma língua, então com eles eu tinha menos chance ainda, rs) e como as minhas aulas eram mais descontraídas – teatro, dança, espanhol – eu tinha mais espaço pra me “enturmar”.

Acho que o que mais me agoniava era ter muita coisa pra acrescentar e não conseguir me expressar do jeito que eu queria. Em português eu sou um turbilhão, posso passar 2 horas falando sozinha em uma conversa em grupo (haha exagerei) mas era assim que eu me sentia, meio oculta nas minhas colocações. Mas como nunca fui tímida, peguei quem quisesse ser meu cobaia (no caso meus dois irmãos mais novos, um menino e uma menina) e ficava praticando meu inglês, eles tinham paciência e me ensinavam as piadas, besteiras, foram meu kit sobrevivência, literalmente. No fundo acho que eles deviam me achar uma louca, eu chegava em casa e tirava todo mundo do quarto pra conversar comigo, fazia brigadeiro e ficávamos a noite inteira rindo e falando besteira.

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Mac and Danica ❤

Óbvio que eles riam muito da minha cara, do meu sotaque, do jeito totalmente errado que eu falava. Mas, exigente, eu só ficava satisfeita quando a minha palavra saía o mais próximo do “correto” possível, então a minha prática era bem engraçada. Enfim, a minha host mother também adorava, porque dava um movimento pra casa, juro que os outros meses foram a maior festa. Eu me sentia completamente em casa, a minha amizade com eles foi só crescendo, junto com o meu inglês. Eles são o que eu mais tenho saudade do meu intercâmbio (apesar de falar com eles quase que semanalmente até hoje). Eles se tornaram parte da minha família.

Resumo: eu aprendi a falar inglês, não passei naquela matéria U.S Government (rs, juro!), voltei para o Brasil, mas ganhei uma casa na Califórnia pro resto da vida. Ah, e virei professora de inglês, com 18 anos e recém chegada.

Sobre o Bilinguismo e como desenvolvê-lo sem traumas

Esse é pra você que cria seus filhos num país diferente do que você nasceu, ou pretende.

Primeiro de tudo: a língua é uma habilidade MUITO importante adquirida pelas crianças, além da comunicação, permite o pensamento concreto, o entendimento e o melhor auto-regulação (conhecimento do próprio corpo). O que significa que antes da criança conseguir se comunicar pode ser bastante frustrante. E que é mais difícil aprender duas línguas ao mesmo tempo, do que apenas uma, então uma criança em contato com duas línguas o tempo todo, naturalmente vai demorar um pouquimo mais a falar.

Mas segurem a ansiedade e não deixem comentários de “especialistas” fazerem com que você desista. Eu digo isso, pois já presenciei algumas situações onde professores pediram aos pais que parassem de falar a língua materna em casa, que dessa forma a criança não ia conseguir se comunicar nunca. Ninguém tem o direito de interferir na maneira com que você planejou educar os seus filhos, não siga esse tipo de orientação, tenha calma que a criança pode demorar um pouco mais para aprender, mas não deixe de fazer o que você sabe que vai ser melhor para o seu filho.

Uma criança de 2 anos tem a capacidade de aprender 1 palavra a cada 2 horas, imagina quantas palavras por dia. É antes dos 5 anos que o cérebro ainda é muito “elástico”, sendo assim, quase que natural aprender quantas línguas forem ensinadas/faladas. Já a partir dos 7 anos, quando o cérebro já está formado, percebemos um declínio na aquisição de uma segunda língua.

A ideia para um desenvolvimento adequado é que os professores trabalhem em conjunto com as famílias. Por exemplo: se você se mudou para um país que a primeira língua seja inglês, mas você só fala em português com o seu filho, é PAPEL DO PROFESSOR encontrar alguma maneira de se comunicar com a criança, seja aprendendo alguma música em português, alguma palavrinha ou outra, NUNCA, JAMAIS repreendendo a família ou a criança. Assim fica muito fácil né? “Se virem com o seu filho em casa porque aqui na escola só aceitamos inglês”. Pois é, se passar por algo assim, já é um ótimo motivo para mudar o seu filho de escola.

A aquisição da língua não deve ser um momento traumático nem para os pais nem para a criança. Não se assustem se seu filho demorar um pouco mais pra falar do que o amiguinho que só está em contato com uma língua, tudo isso é normal, faz parte, mas mais importante: não desista!

E por favor: não se intimidem com comportamentos desrespeitosos. O profissional deve ajudá-lo e não querer limitar a capacidade do seu filho. Não deixe nunca de falar a sua língua materna em casa, não deixe de incentivar a compreensão e a fala das duas línguas. Se quer saber a minha opinião: muito mais importante é a criança aprender a língua materna, a segunda ela já vai falar a vida toda (com os amigos, na escola…).

 

 

Dicas de móbiles sensoriais para bebês

Vamos fazer um móbile em casa?

Além de ser um elemento que estimula a visão e a percepção do pequenos, ele ajuda a compor a decoração do ambiente e deixa a criança encantada nos movimentos por vários minutos. Ideal para bebês a partir do primeiro mês de vida, quando já tem um melhor campo de visão, mas conforme o crescimento, vão começar a querer pegar, explorando suas diferentes texturas.

Os móbiles oferecem muitas vantagens na aquisição do olhar, sentido, interação, mas não substituem o relacionamento com os adulto, não deixe de interagir com o bebê só porque tem um móbile ali, não é a mesma coisa.

Dicas:

  • Mude o móbile de posição, não precisa limitar o móbile ao berço (o bebê pode estar em outra posição, estimulando outros sentidos)
  • Mude os estímulos do móbile: varie entre os estímulos auditivos, visuais e táteis
  • Crie móbiles com os objetos que a criança mais gosta (e que são adequadas a sua fase de desenvolvimento)
  • Estimule a interação com o brinquedo e participe desse momento com a criança
  • Materiais como: feltro, lã, fitas, são as melhores opções, mas pode usar sua criatividade também!

Escolha os mais delicados, leves e coloridos, para não irritar o bebê e o estimular a brincar e interagir com o “brinquedo”. É importante também sempre estar por perto, nunca deixe o bebê sozinho com o móbile!!

Aqui vão umas ideias bem simples para fazer em casa mesmo (eu prefiro os mais simples, mas cheio de cores e texturas) para você se inspirar!